Orador da Medalha da Inconfidência, o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel fez um paralelo entre o momento político atual do Brasil e a história de líderes que, no passado, tornaram-se símbolos da luta pela democracia e que garantiram conquistas históricas para os brasileiros. A cerimônia de entrega da medalha foi realizada neste sábado (21/4) em Ouro Preto.

Em seu discurso, o governador afirmou que “a batalha do nosso tempo é a mesma dos inconfidentes: a luta do ontem contra o amanhã”. “O Brasil viveu a escuridão do arbítrio após o golpe de 64 e caminhou nas trevas durante mais de 20 anos, até reconquistar a democracia. Hoje, essa conquista histórica, que tanto sacrifício custou à nação e à minha geração, está ameaçada pelas violências, perseguições, excessos e abusos de poder”, afirmou. 

O governador citou líderes que atuaram não só para mudar a realidade de suas épocas, mas que garantiram um futuro melhor para as outras gerações. “Há líderes que, sem descuidar do hoje, constroem o amanhã. Esses são os que ficam na história. Em Minas Gerais, tivemos o exemplo de Juscelino Kubitscheck. Ele construiu o amanhã com as usinas hidrelétricas, com as estradas que rasgaram, uniram e aproximaram o nosso estado, até então isolado”, disse.

Fernando Pimentel destacou a importância de colocar os interesses da população em primeiro lugar. “Seja quem for aquele que assumir a nobre função de conduzir o destino dos mineiros e das mineiras, sua responsabilidade número um deve ser a de preservar, criar e ampliar o amanhã da nossa gente, assim como fez JK com seu arrojado projeto de desenvolvimento, assim como fez Getúlio Vargas na formatação das leis trabalhistas e da Previdência, assim como fez o presidente Lula com seus bem sucedidos programas de inclusão social. Esses três líderes que mencionei viveram, não por coincidência, a dor da perseguição e da ofensa. Foram vilipendiados, caluniados, injustiçados, e, até porque não dizer, martirizados. Mas são vitoriosos, ao final”, garantiu.

Modelo inédito de diálogo

O governador lembrou que a atual gestão estadual adotou um modelo inédito de administrar com diálogo, por meio dos Fóruns Regionais de Governo. “Governamos sem a empáfia e a arrogância dos ‘choques’ de marketing do passado, que nenhum legado positivo deixaram para a população. As prioridades mudaram. As escolhas agora estão lastreadas no desejo urgente do nosso povo. Agora, governamos com simplicidade, com humildade, para todos”, destacou.

Apesar da crise política, institucional e financeira do Brasil, o governador lembrou que, em Minas Gerais, os serviços públicos não foram comprometidos e que, na área da segurança, por exemplo, o Estado alcançou a redução significativa de índices de violência. “Assumi o governo e, ao invés de apontar culpados, fui buscar soluções para os inúmeros problemas e distorções que encontrei. Nada falei contra ninguém, não joguei pedras no que ficou para trás. Até porque a obrigação de quem assume um governo não é bater boca com o passado, mas enfrentar o presente e conduzir o Estado para o futuro”, disse.

“Encontramos no Estado uma realidade de destruição das finanças públicas, das prioridades administrativas, da capacidade de pagar o que deve e de cumprir seus compromissos, da esperança de um povo. Antes de nós, haviam desperdiçado no ontem o nosso amanhã, com obras faraônicas e de preços superfaturados. Fizeram opções erradas, que nunca teriam sido feitas se o diálogo tivesse sempre sido uma prática de governo. Aprendemos que nunca mais Minas Gerais pode colocar em risco o seu futuro”, enfatizou.

Homenagem especial

Entre os 170 agraciados, a vereadora do Rio de Janeiro e ativista dos direitos humanos Marielle Franco foi lembrada com destaque. Ela foi assassinada a tiros no mês de março na capital fluminense. Sua companheira, Mônica Benício, recebeu a honraria em sua memória. A esposa do motorista Anderson Pedro, que dirigia o carro em que estava a vereadora e que também faleceu no atentado, recebeu a homenagem em nome do marido.

“Estamos condecorando postumamente duas vítimas do ódio anacrônico e ignorante, que tenta calar a voz dos que lutam pela liberdade e pela justiça social. Falo de Marielle Franco e Anderson Pedro, cruelmente abatidos pelas mãos daqueles que querem submeter o Brasil ao arbítrio do fascismo, que já começa a mostrar suas garras sanguinolentas nos arreganhos de certos personagens toscos. Em Minas Gerais, ao contrário, em meio à selva de discórdias, de violações de direitos, de abusos, de agressões às liberdades civis que hoje quase ensurdece a nação brasileira, abrimos uma clareira de respeito às instituições, de convivência harmoniosa entre os Poderes republicanos”, afirmou Fernando Pimentel.

Ao fim do seu discurso, o governador lembrou um dos principais lemas da Inconfidência Mineira. “Não posso terminar, neste momento dramático de nossa história, sem proclamar em alto e bom som a frase símbolo dos inconfidentes, que ostentamos com orgulho na nossa bandeira: Deus nos ilumine para que não nos falte nunca a ‘Liberdade ainda que tardia!’”, concluiu.

Fonte: Agência Minas